Vitória e título para Giandomenico Basso (Fiat Punto S2000)
Giandomenico Basso (Fiat Punto 2000) “vingou” a derrota sofrida o ano passado, quando foi forçado a desistir na derradeira classificativa, e não só venceu o Rali Vinho Madeira, como assegurou a conquista do título europeu, o seu objectivo à partida para a prova, a três competições do final da temporada.
Foi a primeira vitória de Giandomenico Basso (piloto) e Mitia Dotta (navegador), mas a 13ª da Fiat, no Campeonato Nacional e a terceira na prova insular.
No Campeonato Nacional, a marca italiana não subia ao lugar mais alto do pódio desde o Rali Dão Lafões de 1983, então organizado pelo F.C. Porto, na zona de Viseu, quando João Santos/Almeida Marques levaram o Fiat 131 Abarth à vitória.
Em termos insulares, Giandomenico Basso junta-se a Luís Neto (Fiat 125 S) e Adartico Vudafieri (Fiat 131 Abarth), vencedores, respectivamente, em 1972 e 1980.
A vitória de Giandomenico Basso foi construída no primeiro dia de prova (sete vitórias em 10 classificativas), já que, no segundo, o piloto italiano só foi o mais rápido em quatro nas nove efectuadas, sem nunca ter visto em risco o seu primeiro lugar.
No final do rali, a Fiat fazia a dupla festa e o piloto confessava que “é bom ganhar o rali e o campeonato, depois de dois dias perfeitos, em que não tivemos o mais pequeno problema com o carro”, mas não deixava de acrescentar que “esta vitória tem um sabor muito especial, depois das circunstâncias em que perdi o rali do ano passado”.
Armindo Araújo (Mitsubishi Lancer IX) quase cumpriu na o objectivo com que chegou à Madeira, mas uma segunda etapa “de raiva” de Vítor Sá (Renault Clio S1600) fez com que fosse o madeirense a averbar os 10 pontos correspondentes ao segundo dia de prova para o Campeonato Nacional de Ralis.
Apesar disso, o campeão nacional não escondia a sua satisfação “por termos dois dias muito positivos, uma vez que, apesar de termos corrido o risco de utilizar um carro novo, que precisa de ser evoluído, conseguimos bater os S1600, ser segundos da geral, atrás de um S2000, razão pela qual a equipa só pode estar satisfeita com o trabalho desenvolvido”.
A três provas do final da temporada, Armindo Araújo, que chegou à Madeira com um ponto de vantagem sobre Miguel Campos, em termos de Campeonato Absoluto, regressa ao continente com uma vantagem de 10 pontos (52 – 42), quando ainda há 35 em jogo.
O derradeiro lugar do pódio foi para Fernando Peres (Mitsubishi Lancer IX), com o veterano piloto a conseguir levar a melhor sobre Bruno Magalhães (Peugeot 206 S1600) uma das esperanças do desporto automóvel nacional.
Saindo para a segunda etapa no terceiro lugar, Fernando Peres perdeu essa posição logo na classificativa de abertura (Ribeiro Frio), para logo a seguir (Referta 2) reocupar esse lugar que, manteve até final, representa o melhor alcançado esta temporada e o regresso ao pódio, onde não estava desde a vitória nos Açores o ano passado.
No final, Fernando Peres não escondia a sua satisfação e assegurava que “a partir daqui sinto que tenho armas para lutar pelas vitórias, depois do excelente trabalho que a equipa de assistência fez para preparar o carro para esta prova, uma vez que o material chegou em cima da hora, mas desde o ‘shake down’ que sentia que podia estar na luta pelas primeiras posições, tendo acabado por alcançar um resultado que poucos julgariam possível”.
Apesar de todos os esforços e de ter chegado a ocupar no início do dia o terceiro lugar, Bruno Magalhães teve de contentar-se com a quarta posição, que ocupava à partida para a segunda etapa, e com a vitória no Grupo A, que o deixa a quatro pontos (um quinto lugar) de suceder a José Pedro Fontes como campeão nacional dos Grupos A/N até 1600cc.
Para o piloto da Peugeot, “o dia não correu, particularmente, bem, pois o carro nunca revelou a eficácia demonstrada na primeira etapa, mas saímos daqui satisfeitos com o quarto lugar, com a vitória na F3 e com o facto de estarmos a quatro pontos do título, mas vou para o Rali do Centro de Portugal com o pensamento na vitória”.
Problemas com a direcção assistida, no final da primeira etapa, quando ocupava o segundo lugar, e no início da segunda, levaram Simon Jean Joseph (Renault Clio S1600) a perder posições na geral, tendo chegado a ocupar a 10ª posição, mas o piloto da Martinica nunca baixou os braços e no final conseguia um excelente quinto lugar.
Para Simon Jean Joseph “não se pode dizer que sem os problemas que tive conseguia terminar no pódio, mas para mim o importante foi o ter participado num belo rali, onde tive uma bela luta pelas posições que fui ocupando, pois a cada especial subia ou descia na classificação e isso é que me deu prazer”.
Filipe Freitas (Renault Clio S1600) acabou por ser o melhor madeirense, mas Vítor Sá (Renault Clio S1600) acabou, no segundo dia, por conseguir fazer um excelente resultado em termos de campeonato local.
No final da prova, Filipe Freitas não escondia a sua satisfação “por ter conseguido terminar como primeiro madeirense, depois dos problemas (furo e pião) que tivemos, e por ter assegurado o sétimo lugar da geral”.
Já Vítor Sá que, na derradeira classificativa, conseguiu chegar ao “top ten”, confessava que “sabia que não tinha nada a perder e por isso atacámos do principio ao fim da etapa, sempre com o objectivo de chegar o mais à frente que nos fosse possível e só tenho pena que não tenha dado para chegar ao Filipe, apesar da nossa tentativa”.
As grandes desilusões acabaram por ser Gilles Panizzi (Renault Clio S1600) e Renato Travaglia (Peugeot 206 S1600), respectivamente sexto e oitavo da geral, com o francês da marca do losango a considerar que “só posso sair daqui satisfeito, pois nunca tinha andado com o carro, mas tenho a sensação que se fosse possível cumprir um programa de provas com ele conseguiria lutar pelas vitórias, uma vez que à medida que fui andando é que o fui colocando ao meu gosto”, enquanto o italiano da marca do leão reconhecia que “foi uma prova difícil, em que as circunstâncias jogaram contra nós e onde nunca nos foi possível estar na luta pela vitória final”.